É tempo de voltamos ao passado, para encontrar a felicidade no simples, nas coisas que não podemos tocar, e nem comprar, e nem financiar. É o momento de vencermos as conexões, e de fazer que se aparte um pouco mais a banda larga das coisas. De resumirmos em gestos, o que sempre ouvimos em palavras, e de encotramos a nossa independência nas formas abstratas, nas identidades interiores,e nas diversas definições da arte na forma da poesia.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
O Homem Verde e a Revolução das Árvores
Já faz algum tempo que um certo Homem Verde, que de escolha própria se fez Natureza, para que assim pudesse neutralizar as continuas investidas da Cidade Cinza. Como era de seu costume, todo o dia acordava bem cedo e costumava ir comprar pão na padaria que havia em frente a sua casa, que também era verde. Não era muito conhecido em seu bairro, alguns diziam que ele era louco, outros o consideravam gênio, porém quase ninguém conseguia determiná-lo exatamente. Em sua casa verde havia muitas plantas que serviam de alimento para algumas espécies de pássaros que costumavam sobrevoar por ali, entretanto, sua casa era um lugar onde notoriamente se via a mais pura beleza que a Natureza mostrou aos homes, e por entender esse sentido, o Homem Verde permanecia com sua coloração. Ele não conseguia compreender como todos em sua Cidade Cinza se alimentavam de grandes e gordurosos pigmentos vermelhos e se fechavam para a beleza de todos os macrocosmos que havia ao ser redor.
Durante as tardes em sua casa, ele costumava conversar com as árvores que cercavam e se faziam belas nas propriedades do vizinho. Perdia boas horas de seu dia conversando com elas, e contando suas idéias, até então geniais para as mesmas. Essas por sua vez, não costumavam responder, mas sempre balançavam suas copas, como maneira de expressar uma certa concordância com o que havia sido dito pelo Homem de cor estranha. O Homem Verde não tinha muitas de suas idéias aceitas pela maior parte da sociedade que o considerava insano. Mas ele não se deixava abater por isso, afinal de contas, muito melhor era a companhia das árvores. Ao sair nas ruas, se sentia como um cidadão normal, sempre cumprimentava as crianças, despertava a curiosidade dos mais velhos e até o desejo de algumas mulheres.
-Vocês viram o Homem Verde que acabara de passar?
Era o que muitos sussurravam entre sim, ao ver uma pessoa até então diferente dos padrões pelos quais estavam acostumados. Sua Cidade também era repleta de comerciantes, fanáticos religiosos e algumas prostitutas, e todos se surpreendiam ao ver um homem que acabara de passar conversando com as árvore e os animais que haviam no caminho.
E assim permaneceu o Homem Verde por muitos dias e por muitas noites.
(...)
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